segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Sentimento-pele

Há coisas que se colam e não desgrudam.
Finge-se que está tudo controlado, a sentir o gozo dentro de nós, tentando esconder o que o corpo inteiro denuncia, oscilando entre o real e o ilusório.
Apaixono-me por ideias, por pessoas e, ás vezes, faço uma confusão danada e apaixono-me por ideias de pessoas. Todos os dias, de manhã à tarde e à noite.
Singular e banal, timido e descontraido, vivendo cada uma das coisas a seu jeito. Numa ampliação patológica e arrebatadora do outro. À custa da individualidade e da razão.
Diz que é meninice, pouco relevante a longo prazo. Não estou aí.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Opinião

As opiniões são como as vaginas.
Há quem tenha, quem não tenha, e dos que têm alguns resolvem dar e outros não.
As opiniões são sobretudo uma idealização que desejamos induzir nos outros, ou pelo menos uma pauta que os outros devem seguir. Nós próprios até, temos uma situação de dever para com as opiniões, sem no entanto agirmos de acordo com elas. Ainda que convictos, o que projetamos do nosso pensamento não tem tradução no “real”. Opiniões são ideias expressas e por isso têm um sentido de intencionalidade, ainda que apenas de representação.
As opiniões não produzem qualquer benefício nem qualquer dano, são por elas anódinas, estéreis, inócuas, abnóxias, um placebo… Pernicioso e infesto é a intolerância de quem receia as ideias.
A confusão e o conflito advêm da nossa relação com as nossas opiniões e as dos outros. Por vezes, ainda que na linha das opiniões haja tantos pontos e posturas diferentes, se por aproximação ou intuição se compreenda, ainda que não se satisfaça ninguém ou a maioria, posto que os extremos coincidam, o problema fica resolvido.
A partidarização então é um fenómeno tanto de agregação como de autonomia, estranhamente duas pulsões tão antagónicas em meio interno, que se confundem num simples ‘estás por mim ou contra mim’, ignorando todo o território médio. Tanto que discordo, desencaixo, outras que tento atafulhar coisas nos outros sem me aperceber desta realidade. Quando no fundo, de nada importa e a ninguém serve.
Entretanto, há o outro. As suas ideias, as suas projeções, a sua incapacidade sobre o que nada posso fazer. Da minha parte este é um banco neutro, terra de ninguém.
Quem se quiser sentar é bem-vindo.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cif Creme Micropartículas

Este é o produto por excelência preferido pelas consumidoras, dentro do segmento dos abrasivos.
Cif providencia enorme oferta de uma data de coisas que qualquer homem identifica apenas como sabonetes líquidos. Para uma mulher, isto não é um sabonete liquido, é uma paixão, um sonho, e embora ligeiramente mais caro que os seus similares de outras marcas, ganha a sua atenção porque além de garantir obra feita (promete deixar tudo limpinho), ainda se apresenta com fragância delicada e embalagem ergonómica.
Entre todos se destaca o Cif Creme Micropartículas. Superfície como tachos, capacetes, pias, barcos, bicos e banheiras… mais 1001 coisas, limpas por este sabonete produzido em Sacavém.
Naturalmente que Cif Creme Micropartículas não limpa absolutamente tudo. E que as suas propriedades adstringentes podem danificar superfícies sensíveis. Mas com uma fragância delicada e embalagem ergonómica certamente que será fácil de usar, ou pelo menos deixa a superfície estragada, mas perfumada.
Cif Creme Micropartículas encontra-se disponível em 3 versões (Clássico, Limão e com Lixívia), com fragância delicada e embalagem ergonómica.
O clássico veste-se bem, é cavalheiro e até um pouco machista, vive com as coisas boas da vida, mais aplicável a pias e banheiras, superfícies de cozinha, pouco dado a ambientes exteriores, com aroma básico sem ser desagradável.
Limão, é uma versão apaneleirada (metrossexual vá...) do clássico. Cheira melhor para no fim fazer igual ou menos.
O com lixivia é um pouco mais bruto, mas garante a maior eficácia. Potente em casa e fora dela, tem o inconveniente de não poder usar-se em superfícies sensíveis como plásticos moles ou mobília, e deixar manchas em roupas e carpetes.
De qualquer modo, são úteis independentemente da sua versão porque lavam tudo incluindo sujidade e gorduras várias. (Sugiro ainda assim que não se lavem com isto.) E estou cada vez mais certo de que uma fragância delicada e uma embalagem ergonómica tornam qualquer coisa minimamente útil numa paixão.
Como curiosidade apenas, Cif apresenta-se sob vários nomes como JIF, VISS, VIF e VIM, por razões fonéticas e de marca registrada. Cif, escolha o seu:
  • Cif Lava Tudo (Clássico, Montanha, Limão Vinagre, Marine, Sabão Natural e Madeiras)
  • Cif Creme (Clássico, Limão e com lixívia)
  • Cif Spray Power Cream (Desengordurante, Casa de Banho e com lixívia)
  • Cif Toalhitas (Ocean, Limão e Laranja)
  • Cif Liquido, Cif Gel, Cif Spray, Cif Inox, Cif OxyGel, Cif Actifizz…

terça-feira, 31 de julho de 2012

Desperdício de Insight

Quando compreendemos e não sabemos, não somos capazes de dar forma, rosto, agir em concordância.

Dissolução

Desejo. O que quero é difícil de exprimir. Não que seja volátil, mas a sua concretização é em permanência uma névoa. O desejo permanece no campo da afetividade e não tem relação com o real exceto através de nós, talvez por isso seja tão difícil assumir e depois não ser capaz de concretizar.
O mais perene, que a chuva me tocasse, para me fazer parte dela, de tudo ou ser coisa nenhuma.Que o acaso me levasse rapidamente e sem avisar, sem esforço, para o lugar que é meu.
Infelizmente, o desejo de pouco serve, e em pouco resulta ou se aprecia; somos nós a definir continuar na névoa ou encontrar a solução. Quero ser mero soluto, inerte por si próprio, mas ao cair da chuva dar-lhe propriedade, finalidade e sentido.
Ninguém o fará por mim, ninguém me trará a (dis)solução que desejo. Porque o desejo de pouco serve.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Perda Concretizada

Toda a história tem pelo menos duas história.

Perante factos irrefutáveis, diversas interpretações reais contam o que ocorreu. Nenhuma delas agarra toda a envolvência, ainda que nenhuma seja falaciosa. As várias histórias de uma história, retratam por si uma pequena e a mais importante parte para o observador, faça ou não parte da mesma.

Existe a minha história; e existe a outra história.
Ora a minha história tem sempre tempo de ser recontada, reescrita... tenho até ao último momento de vida a oportunidade de interpretar de forma diferente a minha história, assim o queira.
A outra história é muito mais importante.

Na outra história, só outro a poderá reescrever mais tarde. Na outra história o tempo escorre mais depressa, o espaço é curto, e a significância cristaliza sem nossa intervenção.
A outra história é sem dúvida mais importante. A outra história deveria ser o nosso foco primário de atenção, a primeira a compreender, a viver, a entender, e riscar um pouco até. A nossa história de pouco vale, a nossa história devia ser a outra história. A nossa história chega a ser perversa e vazia, quando não compreende que o prioritário, é a outra história.

Perde-se quando não se vive na outra história.
Deteriora-se, desgasta-se e deixa de existir parte importante de nós, a parte que corresponde à outra história. Uma lacuna, uma falha. Algo que mais ninguém pode sentir, tal sentimento de vazio. A noção de estar privado de algo que se tem, ou que não se tem até... Não se está na outra história, ninguém estará na nossa.

Perde-se, quase em continuo ao longo da vida. Coisas pequenas, e coisas grandes, cada um de nós.
A perda é um constante, na palavra dita, na ação que ficou por realizar, que nos retirou algo, ou que alguém veio retirar.

Há quem lhe chame crescimento. Talvez faça parte do processo, mas não me parece nada.
Cada história tem duas histórias.

"Vem rastejar, que te faz bem!
Implora porquês que eu não vou responder
Geme a chorar, que te faz bem,
Sangra o teu mundo só para eu ver
(...)
Sacrifica o teu ar, que te faz bem,
Sufoca entre panos vestidos de azul
Tortura os teus olhos para veres bem,
Que arranhas a voz em tosses sem som.
(...)
Só quando o sol te comer a pele
E o luar te roer a alma
Na lama que te arranca as asas.
Quando fores ave amarrada
Vais voar no meu céu negro
vais ser nada..." T

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Amor Ofensivo

Necessitamos de afeto. Aparentemente é tão necessário à sobrevivência como qualquer outra das necessidades. Sentir-se amado, nutrido, acarinhado é fulcral para qualquer individuo, é o que lhe permite explorar e vivenciar o mundo.
Ocorre no entanto, que não é uma exigência que possamos fazer uns aos outros. Não podemos forçar a que nos ofereçam o afeto que desejamos.

O afeto é de quem o nutre, de quem o partilha com o outro, na tentativa de fazer o seu mundo melhor.
"Gosto de ti, e espero que isso te faça sentir melhor."
E acontece. Ser amado é útil. Ser amado é receber uma dose de confiança, de valor de nós próprios.
Pelo contrário, a desnutrição afetiva estenosa a capacidade de cumprimento da pessoa.

Muitas vezes ocorre de forma unidirecional. Aliás, sou capaz de dizer que sempre é unidirecional, calha é algumas que seja recíproco.
Ainda assim, ferimo-nos quando ama-nos e não recebemos o mesmo. Eu também; mas ficam a palpitar-me uma dúvidas...

Se ser amado é uma necessidade, como podemos criticar os que o utilizam sem reciprocidade?
Ou como podemos recusar, ainda que não possamos devolver?
Usamo-nos uns aos outros? E isso, é censurável?
Utilizar algo que nos é util e que é em si mesmo e à partida uma dádiva?
Porque nos sentimos ofendidos então?